Subtítulo: Música barulhenta
"Aqueles que ouviam Beatles não imaginavam as mudanças que os rapazes de Liverpool anuciavam. Seu primeiro albúm, de 1.964, não parecia revolucionário, embora fosse irreverente. A música do grupo fazia as pessoas se reunirem de maneira alegre e aparentemente inofensiva. Um tanto infantis, os quatro tinham apelo tanto juntos às mães quanto aos filhos, vendendo discos em um curto espaço de tempo do que quaisquer outros músicos na história, o que ajudou a popularizar o rock na Inglaterra. Nos seis anos que se passaram desde sua primeira aparição juntos até a sua separação em 1.970, a banda fez com que os adolescentes se sentissem participantes de uma comunidade grande e animada, à qual seus pais, e talvez até seus professores, não pertenciam verdadeiramente.Foi a primeira geração de adolescente que poderia gastar seu dinheiro como bem entendesse. Nas décadas anteriores, ao terminar os estudos, os jovens começavam imediatamente a trabalhar, e os parcos salários semanais eram entregues aos pais, com quem continuavam a morar. Em 1.900, na França e na Grã-Betanha, o trabalho juvenil contribuía muito mais do que o das mães para renda total da família, portanto era vital que os filhos continuassem em casa. Mas agora os jovens colocavam a si mesmos e a suas preferências no alto da lista de prioridadedes. Deixavam a casa da família mais cedo. Tinham menos, ou nenhuma, consideração pela opinião dos pais. Era como uma meia declaração de independência - em meados dos anos 1.960, somente uma minoria de jovens norte-americanos a proclamou, mas foi uma minoria considerável, grande o bastante para influenciar o ânimo da década, especialmente na Califórnia.

Beatles, Rolling Stones e Bob Dylan, com suas guitarras elétricas, foram os pioneiros dos palcos. A percepção das divergências crescia. Os hippies apareceram. O álcool e outras drogas, inclusive a heroína, dominavam a atmosfera. A contracultura ficava cada vez mais "contra" . O envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã crescia, e muitos jovens diziam não ao recrutamento.A Guerra do Vietnã tinha certa semelhança com a Guerra da Coréia. Os dois países haviam sido divididos em um norte comunista e em um sul antidemocrático, e o norte diciplinado havia atacado, inicialmente som sucesso, o sul. Os norte-americanos e seus aliados ajudavam o Vietnã do Sul, enquanto os russos e os chineses enviaram armas e munição - mas não soldados - em auxílio ao Vietnã do Norte. Diferentemente da paisagem e do clima da Coréia, o Vietnã causou perplexidade nos norte-americanos: era um país tropical, com selvas e campos de plantações de arroz. A superioridade aérea norte-americana era incontéstavel, mas servia principalmente para bombardear gigantescas rodovias ou ferrovias, e não trilhas no meio do mato. Assim, o país militarmente mais avançado do mundo não podia usar tecnologia. Mísseis nucleares estavam fora de cogitação. Tais armas provocariam retaliações por parte de chineses e russos, além de inflamar a opinião pública mundial. Cada vez mais os norte-americanos precisavam de seus homens em terra - o total chegou, por fim, à casa do meio milhão.
Uma guerra que inicialmente parecera fácil de ser vencida tornava-se, paulatinamente, perdida. no final da década de 1.960, o barulho causado pelos protestor nos Estados Unidos ficou ensurdecedor. As alternativas radicais ganhavam a preferência - não tinham necessariamente o apoio da maioria do povo norte-americano, mas contavam com uma minoria numerosa suficiente para abalar os círculos políticos.
Com a divisão interna que causou nos Estados Unidos, a Guerra do Vietnã misturou vários ingredientes na mesma panela. Os jovens se opunham ao conflito e aos valores dominantes dos políticos e cidadãos que o apoiavam. Começaram a perceber as virtudes dos camponeses asiáticos e os defeitos dos moradoes das cidades norte-americanas. Assim, a idéia de os Estados Unidos entrarem na guerra para defender as liberdades pessoais dos vietnamitas parecia realmente estranha quando tantos negros norte-americanos tinham menos liberdade do que os brancos do país. Argumentos como esse inspiraram centenas de milhares de comícios contra a guerra. No entanto, embora houvesse liberdade para protestar em Washington, o mesmo não acontecia em Hanói."
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